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Analfabetismo e pobreza na capital da indústria síria | O GLOBO

Apesar de boom econômico nos anos 2000, Aleppo tem 40% da população na informalidade

POR RENATA MALKES
08/08/2012 22:21 / ATUALIZADO 08/08/2012 22:31

Aleppo é a maior cidade da Síria. Além da cidadela do século XIII, patrimônio da Unesco, ela abriga 2,5 milhões de habitantes no mais importante centro econômico e industrial do país. Mas, longe dos clichês, a cidade – e a província – tem também enormes bolsões de pobreza e o maior índice de analfabetismo registrado da Síria. E quando a violência chegou definitivamente, no mês passado, deixou exposta uma outra ferida – a social.

Segundo dados coletados em 2009 pela Organização Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), 23,7% da população da província de Aleppo eram analfabetos — ou seja, quase um em cada quatro sírios daquela região não sabia ler e escrever. A informalidade representava 40% da economia, apesar de um boom industrial ocorrido quando Bashar al-Assad chegou ao poder, com algumas reformas, no início dos anos 2000. Entre os comerciantes locais, não são raras as queixas pela tímida abertura econômica em detrimento da esperada abertura política.

– As novas leis permitiram que produtos de Turquia e de países como o Irã chegassem aqui muito mais baratos que os sírios – contou ao GLOBO Imad, um morador de Aleppo.

As diferenças entre ricos e pobres, que vinham crescendo, ficaram mais claras nos últimos 17 meses de conflito.

– Os dados da província refletem também a realidade da cidade de Aleppo. Seria simplista dizer que o conflito dividiu a cidade entre ricos e pobres. Mas é, sim, um aspecto da revolução; o motivo pelo qual Aleppo demorou a participar. As elites eram alinhadas ao regime – observou o jornalista sírio Harout Ekmanian.

Imigração trouxe problemas

Palco das maiores batalhas da cidade, o bairro de Salah al-Din é um reduto de classe média baixa, o que teria motivado o Exército Livre da Síria (ELS) a instalar ali seu QG.

– A estratégia foi chegar o mais perto possível do centro e explorar o descontentamento dos menos favorecidos, dos que não têm nada a perder – avaliou Ekmanian.

Áreas como essa são vitais para a oposição. E existem bolsões de pobreza espalhados por Aleppo desde que o Partido Baath chegou ao poder, em 1963. Naqueles dias, a agenda política era a do socialismo árabe. Para cooptar o apoio de uma cidade mercantilista desde a Idade Média, o regime de Assad distribuiu cargos públicos – cobiçados por imigrantes que deixaram áreas rurais em busca de uma vida melhor.

Mais recentemente, uma nova onda migratória a partir de 2005 – quando começou uma grave seca que atinge o país até hoje – só agravou a situação social daquela que poderia ser chamada de a pobre cidade rica da Síria.


Original source: http://oglobo.globo.com/mundo/analfabetismo-pobreza-na-capital-da-industria-siria-5737729

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About Harout Ekmanian

Journalist, lawyer, netizen and an observant gentleman.

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